terça-feira, 27 de abril de 2010

Teoria Tridimensional do Conceito Ético




SUMÁRIO:
1. INTRODUÇÃO
2. OBJETIVO
3. QUEM ENSINA APRENDE DUAS VEZES
4. A TEORIA TRIDIMENSIONAL DO CONCEITO ÉTICO
4.1. A PRIMEIRA DIMENSÃO
4.2. A SEGUNDA DIMENSÃO
4.3. A TERCEIRA DIMENSÃO
5. CONCLUSÃO
6. BIBLIOGRAFIA




1 - INTRODUÇÃO

O estudo da Ética, durante longos anos, tomou parte da vida de muitos pensadores que naturalmente aprenderam a refletir sobre os principais aspectos da vida social. Muitas vezes, obrigando a voltar-se para si em prol de respostas para perguntas que ninguém antes havia formulado.

“A ética é uma daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta”.
(VALLS, Álvaro L.M. O que é ética. 7a edição Ed. Brasiliense, 1993, p.7).

A definição de Valls para dar início a sua obra intitulada “O que é ética”, trata de uma dúvida comum e natural que envolve aqueles que se deparam com este questionamento. De forma brilhante e concisa explica a ética prática.

A ética trata do comportamento do homem, da relação entre sua vontade e a obrigação de seguir uma norma, do que é o bem e de onde vem o mal, do que é certo e errado, da liberdade e da necessidade de respeitar o próximo. É o instrumento necessário de um viver em conjunto, base para construção de um mundo político e condição necessária para convivência da espécie humana.

A prática do bem e da justiça envolve um agir ético de forma consciente, responsável e com liberdade. Assim, a virtude pode ser trabalhada de forma crescente e contínua, ao mesmo tempo em que se afasta a idéia do vício, onde nasce a liberdade sem responsabilidade. O agir ético é conduta universal na qual o indivíduo erguerá templos a virtude e cavará masmorras ao vício.

Neste sentido, é preciso fazer uso da reflexão e da auto-avaliação para que seja possível haver mudanças internas de conduta, atitude ou prática comportamental.


2 - OBJETIVO

Sócrates entendia que o homem virtuoso é aquele que basta saber o que é bondade e, assim, praticá-la. Nos dias de hoje, essa pode parecer uma definição um tanto quanto simples. Porém, ainda que com pouca aplicabilidade à época, era uma noção perfeitamente plausível.

Por este motivo, Sócrates é considerado o “Pai da Ética”. Não havendo ninguém que tivesse refletido organizadamente sobre a Ética e o “homem moral”. Acredita-se que o relativismo dos Sofistas pode ter desencadeado essa coesão de Sócrates.
Como se explicaria, então, a dissociação real de ambos, se ao homem, como afirma Sócrates, basta saber o que é bom para que ele seja bom?
Os sofistas responderam a esta questão considerando que a Ética era mera convenção social, Sócrates os refuta, afirmando que a aparente dissociação se dá justamente porque os homens não sabem o que realmente é a bondade. Esta noção perdida em meio à vaidade e a hipocrisia dominante cegaria o homem que ao invés de lutar por objetivos reais confunde-se na névoa das convenções sociais. Já se sente aqui o embrião da noção que Platão consolidará e generalizará na sua Alegoria da Caverna.
A lição maior de Sócrates era a contrariedade daquilo que era convencionado, de forma a atacar os valores morais. Agia conforme as regras, porém era fiel a sua moralidade. Ao ser condenado pela segunda vez, a mulher de Sócrates contratou o melhor advogado para defendê-lo e por sua vez, lhe garantiu que conseguiria no mínimo o seu banimento. Mas para isso, precisava fazer exatamente o que seu defensor havia lhe orientado. Sócrates, porém, rejeitou de forma veemente tal estória e resolveu defender-se com suas convicções morais. Assim, por não ceder as pressões e convenções estabelecidas, morreu sendo obrigado a ingerir cicuta.
Indubitavelmente vivemos em uma época diferente da época de Sócrates. Porém, será que é tão diferente assim? Quantas vezes você teve que ir contrário aos seus preceitos morais?
Sócrates, em sua trajetória, revela que é necessário acreditar em si mesmo e olhar para frente em prol da verdade e da retidão. Apesar de ser condenado a pena de morte, fez história e tornou-se um marco referencial para toda eternidade. Fonte inspiradora para o desenvolvimento de um novo conceito de ética, uma ética tridimensional.
A Teoria Tridimensional do Conceito Ético, que envolve a completude do que anteriormente confundia-se com definições isoladamente qualificadas, tem como finalidade distinguir cada conceito que outrora definia-se equivocadamente juntos e quando realmente fosse o momento de aplicá-los, poder-se-ia identificar claramente, cada um deles.

Traz em seu bojo, o real e perceptivo conceito a cerca do aspecto definitivo ao mesmo tempo amplo no que diz respeito ao tema, dividindo-se em três dimensões distintas a ser analisado o conceito de Ética.

3 - QUEM ENSINA APRENDE DUAS VEZES

A ideia principal no que diz respeito ao tema em pauta, vem de estudos e principalmente de dúvidas que surgem no decorrer da aplicabilidade em sala de aula.

Antes de qualquer coisa, é de suma importância o estudo da Filosofia que é para muitos um estilo de vida, para outros um modo de ganhar a vida, mas para poucos uma opção de aprimorar suas aulas de ética.

Assim, a filosofia da educação de modo algum pode ser esquecida, como afirma o professor Moacir Gadotti que, para se fazer uma Filosofia da Educação não-ideológica, “é preciso começar por educar a Filosofia”. (GADOTTI, M. Filosofia, ideologia e educação. p. 242.)

4 - A TEORIA TRIDIMENSIONAL DO CONCEITO ÉTICO

Não é mero acaso que as coisas acontecem. Se hoje você está lendo isso, provavelmente é porque seu interesse foi despertado por algum motivo, talvez o nome que lembra a Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale ou a Teoria Tridimensional das Emoções de Wilhelm Wundt, talvez curiosidade ou quem sabe obrigação profissional. Porém, independente das causas que levantaram sua motivação sobre o tema, é mister o uso veemente da reflexão.
Cabe a você e somente a você, esta tarefa árdua que é desvencilhar-se dos preconceitos que lhe fora apresentado. Ao final então, espera-se que seja apreendido uma nova forma de expressar o que anteriormente era dificultoso definir.

Formular um conceito ético sobre todas as coisas não é a base deste estudo. Porém, o princípio basilar, fundante da ética, é sua definição precisa.

4.1 – PRIMEIRA DIMENSÃO

Inicialmente, surge na Grécia a palavra Ethos, que tem como significado valores, hábito e harmonia. É o conjunto de hábitos, costumes e prática de um povo ou cultura. Posteriormente, traduziu-se este termo para o latim, surgindo a palavra Mos que no plural torna-se Moris, dando origem enfim, a palavra Moral que nada mais é do que o conjunto de hábitos, costumes e práticas de uma conduta individual, ou seja, o núcleo de uma célula chamada Ética.

A figura do Ethos, é um sinônimo de família, supõe tradição, compartilhamento; é a casa. Logo, não há diálogo sem Ethos e contudo haverá a destruição dos seres vivos. É o evento da democracia e significa também o hábito, seguindo para seara da Isonomia, pois na Grécia já se preocupava com a igualdade e para Karl Marx é o caráter socialista-democrático.

Aqui o ser tem para si conhecimentos costumeiros, práticos, tradicionais que geralmente são passados de pai para filho e de geração em geração.

4.2 - SEGUNDA DIMENSÃO

Este talvez, seja o patamar mais comum para a sociedade. Pois, estamos diante de um conceito normativo de Ética.

Neste teor, encontra-se na mesma linha reta que a primeira dimensão, porque há de se falar em uma espécie de Ethos que fora legitimado. Ou seja, antes o que era costume e hábito, agora tornou-se obrigatoriedade mediante uma convenção ou pacto social.

Tem-se inúmeros códigos de ética que regulamentam várias profissões e consequentemente obrigam o profissional a agir de acordo com tais preceitos estabelecidos. A exemplo disso, o código de ética do Guarda Municipal regulamentado pela Lei Complementar nº 100/09:
“Art. 18. Os servidores da área operacional da GM-RIO manterão observância dos seguintes preceitos de ética:

I - servir à sociedade como obrigação fundamental;

II - proteger vidas e bens;

III - defender o inocente e o fraco contra o engano e a opressão;

IV - preservar a ordem, repelindo a violência;

V - respeitar os direitos e garantias individuais;

VI - jamais revelar tibieza ante o perigo e o abuso;

VII - exercer suas atribuições com probidade, discrição e moderação, fazendo observar as leis com lhaneza;

VIII - não permitir que sentimentos ou animosidades pessoais possam influir em suas decisões;

IX - ser inflexível, dentro dos limites legais, no trato com os infratores;

X - respeitar a dignidade da pessoa humana;

XI - preservar a confiança e o apreço de seus concidadãos pelo exemplo de uma conduta irrepreensível na vida pública e na particular;

XII - cultuar o aprimoramento técnico profissional;

XIII - amar a verdade e a responsabilidade como fundamentos da ética do serviço público;

XIV - obedecer às ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;

XV - não abandonar o posto em que deva ser substituído sem a chegada do substituto;

XVI - respeitar e fazer respeitar a hierarquia da GM-RIO;

XVII - prestar auxílio, ainda que não esteja em hora de serviço:

a) fim de prevenir ou reprimir perturbação da ordem pública;

b) atender prontamente as pessoas carentes de socorro, encaminhando-as à autoridade competente, quando não puder prestar o devido atendimento.”


Para Aristóteles a Lei deve ser capaz de compreender as limitações do ser humano, aproveitar-se das suas paixões e instintos, e produzir instituições que promovam o bem e reprimam o mal.
Aristóteles preocupa-se com a ineficácia e ineficiência de uma Lei, cuja aplicabilidade possa ser comprometida pela inobservância dos verdadeiros anseios da sociedade.
Platão diz que a Lei deve moldar o real, mas para Aristóteles o real é que deve moldar a Lei.
Mas esta visão não pode ser entendida como uma ausência de princípios éticos fortes ou a abstenção de promover o Bem – que Aristóteles entende também como uma aspiração do ser humano capaz de conciliar o interesse individual e o comunitário. Pelo contrário, ele propõe um controle estrito sobre as paixões, com a diferença que ele deriva delas tanto as virtudes quanto os vícios, ao contrário de seus mestres predecessores.



4.3 - TERCEIRA DIMENSÃO

Por fim e tão importante quanto as demais conceituações, encontra-se a terceira dimensão do conceito ético de uma forma mais elevada em relação aos demais conceitos, pois neste ponto tem-se a reflexão como a palavra chave de uma metaética, onde será verificado com veemência a ética prática, a bioética, a poética, a estética, a dialética etc.

Aqui fala-se em um grau mais elevado de um conceito de ética, pois é preciso identificar valores morais, religiosos, científicos, habituais e principalmente filosóficos que reunirão questionamentos referentes a eventos atuais da relação homem-ética.

Na China, criaram a melancia quadrada. Quais são os reais perigos em modificar a natureza biológica de uma fruta apreciada por todos no mundo?

Se você acha que tem controle sobre suas decisões relativos a sua vida, o que acha sobre a eutanásia?

O aborto realmente é um crime?

Questionamentos como estes acima, são na verdade, o ponto de partida para iniciar uma sociedade justa e perfeita. Uma vez que no mundo hoje falta um pouco mais de filosofia a todos nós.

- Somos adeptos da religião do “Santo Melhor”, acreditamos no Brasil e seus jogadores, mas esquecemos da Pátria e seus trabalhadores, então isso é tudo culpa do político que quinze dias depois, nem sei mais o nome. Sei que foi eu que coloquei ele lá, mas porque não tinha outro melhor, sabe como é? Se não tem outro melhor, é sempre bom evitar o pior.





5 - CONCLUSÃO

Dalai Lama em seu livro “Uma Ética para o Novo Milênio”, retrata o sentimento de felicidade como a essência da busca de uma disciplina ética. Atribui a conduta antiética do homem, a falta de “contenção interior”.

A sensação do dever cumprido, no que tange a consciência moral recompensadora, traz ao indivíduo atitudes conscientes em relação ao próximo e suas necessidades.

Assim, o sujeito ético é sem sombra de dúvidas um sujeito mais feliz que aquele que não anda dentro dos preceitos éticos. Pois já fora observado que a ética é o conjunto de práticas, hábitos e costumes de uma sociedade que pode escolher normatizar com o intuito de organizar e ordenar os reais anseios da coletividade, formando assim o pensamento reflexivo em prol de uma ética prática.

















6 - BIBLIOGRAFIA
Abrão, Bernardete S. História da Filosofia, Coleção Os Pensadores, Nova Cultural, São Paulo, 1999.
ARENDT, Hanna, Condição Humana. Trad. Celso Lafer. Florence, Editora Universitária (USP)
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco in Aristóteles– Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
CHATELET, François. História da Filosofia. Rio de Janeiro: Ed. Zahar.
CHAUÍ, Marilena et alii. Primeira Filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1985.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. Ed. Ática. São Paulo, 2000.
DURANT, Will – A História da Filosofia, Coleção Os Pensadores, São Paulo, Nova Cultural, 1996.
PLATÃO, A República, Editora Calouste Gulbenkian.
________, O Julgamento de Sócrates, in Sócrates, Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
ARISTOTLE. Politici. Great Books of the Western World. Chicago: University of Chicago, 1952, p. 446 (1953).

GADOTTI, M. Filosofia, ideologia e educação.

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